Safra de Baru: Copabase lida com os efeitos das mudanças climáticas
- Contato Sow
- 3 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

A Cooperativa Regional de Base na Agricultura Familiar e Extrativismo (Copabase) enfrenta um cenário desafiador para a produção da castanha de baru em 2025. Com expectativas "muito baixas" para a safra, pelo terceiro ano consecutivo, a cooperativa aponta as mudanças climáticas como principal fator de impacto, exigindo uma adaptação constante de seus produtores e parceiros.
A realidade climática, longe de ser favorável, tem gerado apreensão. "Há uma percepção crescente de que estamos sofrendo os efeitos das mudanças climáticas, que impactam diretamente a sazonalidade e a produtividade de frutos nativos como o baru", afirma Dionete Figueiredo, gerente da Copabase. Mesmo com a sabedoria popular dos produtores indicando uma boa colheita inicialmente, o clima tem se mostrado imprevisível.
Essa situação impõe à cooperativa a necessidade de um "grande 'jogo de cintura'" e um profundo entendimento por parte de seus parceiros e clientes sobre a natureza sazonal do baru. Diante de um grande desafio, a Copabase fez questão de levar para a COP30 a voz do Cerrado, sublinhando os impactos das mudanças climáticas e a necessidade premente de ações de mitigação para proteger a sociobiodiversidade e as cadeias produtivas locais. Essa participação conectou de forma decisiva a realidade local aos debates globais.
Cem famílias engajadas e diversidade de produtos
Atualmente, cerca de 100 famílias estão diretamente mobilizadas e entregando produção à Copabase, embora a cadeia do baru envolva mais de 300 famílias mapeadas na região. Essas famílias ativas são a base da produção da cooperativa e do fortalecimento da sociobiodiversidade local.
Além da emblemática Castanha de Baru, a Copabase trabalha com uma rica diversidade de produtos do Cerrado. No portfólio, destacam-se o Açafrão-da-terra, Urucum, Farinha de Mandioca, Açúcar Mascavo, Mel e Pólen. As Polpas de Frutas, no entanto, são, ao lado do baru, os produtos que mais movimentam a cooperativa, sendo comercializadas tanto no varejo quanto no mercado institucional, refletindo a riqueza do bioma e o impacto positivo gerado pela agricultura familiar.
Crescimento no Mercado Internacional
Apesar dos desafios na produção, a Copabase continua expandindo sua presença no mercado. A cooperativa atende a diversos canais no cenário nacional, incluindo distribuidores como a Central do Cerrado, que atua fortemente em Brasília, além de participação em eventos, brindes e feiras em várias regiões.
Um dado de destaque é que as exportações representam o maior volume de vendas da cooperativa, demonstrando a crescente inserção e reconhecimento dos produtos da sociobiodiversidade do Cerrado em mercados internacionais. Esse alcance global não apenas valoriza os produtos locais, mas também contribui para a visibilidade do trabalho sustentável e do impacto social gerado pela Copabase.
Diante de um cenário climático incerto, a Copabase reafirma seu compromisso com a resiliência, a valorização das famílias extrativistas e a busca por soluções que garantam a sustentabilidade de suas cadeias produtivas e a conservação do Cerrado.










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